Passe Adiante
Lá estava eu com minha mulher e nossa filha de dois anos num acampamento isolado cercado de neve em Oregon, com o carro enguiçado. Viajávamos para comemorar o término do meu segundo ano de residência médica, mas meus conhecimentos recém adquiridos nessa área, de nada serviu para consertar meu veículo, que havíamos alugado para a viagem. Ao tentar dar a partida, nada. Meus palavrões foram abafados pelo barulho do riacho próximo. Concluí que a bateria descarregou e decidi voltar a pé até a rodovia principal, distante vários quilômetros, enquanto minha mulher ficava com a minha filha no acampamento. Depois de duas hora e um tornozelo torcido cheguei à rodovia e fiz sinal para um caminhão. O motorista me deu carona até o primeiro posto de gasolina. Era domingo e o lugar estava fechado mas havia um telefone público e telefonei para a única companhia de auto-socorro da cidade mais próxima, cerca de trinta quilômetros de distância.
Bob atendeu o telefone e expliquei-lhe a minha situação.
- Não tem problema – normalmente fecho aos domingos, mas posso chagar aí em meia hora.
Fiquei aliviado apesar das implicações financeiras que essa ajuda significava. Ele chegou num caminhão-guincho e nos dirigimos ao acampamento. Só quando saí do caminhão observei espantado Bob descer com aparelhos na perna e ajuda de muletas. Ele era paraplégico.
Enquanto ele se movimentava comecei a calcular o custo da sua boa vontade.
- É só uma bateria descarregada. Com uma carga elétrica pode ir emborsa.
Bob recarregou a bateria e ainda distraiu minha filha com truques de mágica. Quando ele colocava os cabos de volta no caminhão perguntei quanto lhe devia.
- Nada – respondeu para minha surpresa.
- Mas tenho que lhe pagar.
- Não – quando eu estava no Vietnã alguém me ajudou a sair de uma situação pior do que esta, quando perdi minhas pernas e o sujeito me disse apenas para passar isso adiante. Portanto, você não me deve nada. Apenas lembre-se: quando tiver uma chance, passe adiante.
Lá estava eu com minha mulher e nossa filha de dois anos num acampamento isolado cercado de neve em Oregon, com o carro enguiçado. Viajávamos para comemorar o término do meu segundo ano de residência médica, mas meus conhecimentos recém adquiridos nessa área, de nada serviu para consertar meu veículo, que havíamos alugado para a viagem. Ao tentar dar a partida, nada. Meus palavrões foram abafados pelo barulho do riacho próximo. Concluí que a bateria descarregou e decidi voltar a pé até a rodovia principal, distante vários quilômetros, enquanto minha mulher ficava com a minha filha no acampamento. Depois de duas hora e um tornozelo torcido cheguei à rodovia e fiz sinal para um caminhão. O motorista me deu carona até o primeiro posto de gasolina. Era domingo e o lugar estava fechado mas havia um telefone público e telefonei para a única companhia de auto-socorro da cidade mais próxima, cerca de trinta quilômetros de distância.
Bob atendeu o telefone e expliquei-lhe a minha situação.
- Não tem problema – normalmente fecho aos domingos, mas posso chagar aí em meia hora.
Fiquei aliviado apesar das implicações financeiras que essa ajuda significava. Ele chegou num caminhão-guincho e nos dirigimos ao acampamento. Só quando saí do caminhão observei espantado Bob descer com aparelhos na perna e ajuda de muletas. Ele era paraplégico.
Enquanto ele se movimentava comecei a calcular o custo da sua boa vontade.
- É só uma bateria descarregada. Com uma carga elétrica pode ir emborsa.
Bob recarregou a bateria e ainda distraiu minha filha com truques de mágica. Quando ele colocava os cabos de volta no caminhão perguntei quanto lhe devia.
- Nada – respondeu para minha surpresa.
- Mas tenho que lhe pagar.
- Não – quando eu estava no Vietnã alguém me ajudou a sair de uma situação pior do que esta, quando perdi minhas pernas e o sujeito me disse apenas para passar isso adiante. Portanto, você não me deve nada. Apenas lembre-se: quando tiver uma chance, passe adiante.